terça-feira, 24 de novembro de 2015

Gira Mundão | Capítulo 2 | Escravos para sempre?

ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR:
Lopes: Linda sua filha em?
Jorge: Ah, essa boca moleque! Ela é uma moça direita, de família, não irá namorar nem casar com você.
Lopes: Posso dar uma palavrinha com sua filha na mansão?
Jorge: Vai vai, mas qualquer coisa além do comum, você vai ver.

Capítulo 2
CONTINUA:





Cena 1 - Mansão - Tarde 
Lopes foi até a mansão falar com Aparecida. As duas amigas estão conversando sobre a festa. Como estão sozinhas em casa, qualquer barulho poderia assustá-las. 
Aparecida: Jamili, pode ser dia 16? Nos outros dias vou estar trabalhando.. então, só este dia estarei livre. 
Jamili: Dia 16 não vai dar.. Tenho que ir urgentemente para uma festa de família...
Aparecida: Jamili! Se não é dia 16 não vai ser NUNCA!
Jamili: Calma calma.. Mais tarde eu converso com meus tios, são eles que estão organizando a festa.
Aparecida: Tudo bem, mas só tenho até o dia 13 para receber a resposta. Se até lá, olha escute bem menina e olhe para mim!
Jamili: Tá bom ''mãe''.
Aparecida: Se até lá você não me entregar o que eu preciso para fazer esta festa bombar, eu continuo sem você!
Jamili: Blá blá blá, pode deixar.
Do nada, acontece um barulho muito forte na janela 
Jamili: Que susto meu deus!
Aparecida: É só o Lopes mulher! Nossa, você ia morrer de rir se você vesse o pulo que cê deu!
Lopes: Eu vim conversar com as senhoritas
Aparecida: Lopes
Lopes: O quê?
Aparecida: Cai fora vai, oshe!

Cena 2 - Mansão - Dia
É a hora dos escravos da Fazenda Coro Velho trabalharem. Taú e Xoloni ficaram encarregados de limpar a mansão de Jorge. 
Jorge: Quando eu sair, quero tudo limpo! Tenho visitas importantes hoje, e quero mostrar a eles que aqui é uma mansão descente, de gente!. Vamos, Aparecida.
Aparecida: É para já meu pai, mas o senhor pode esperar um tantinho de nada?
Jorge: Aparecida! Não me atrase, eu preciso sair.
Aparecida: Então saia meu pai, não tem motivo nenhum para me levar.
Jorge: Aparecida, José quer negociar e você é a nossa negociadora, lembrada?
Aparecida: Essa vida de negociadora não está dando certo.. Vou me demitir
Jorge: Ah meu deus! Glória deus! Eu nunca lhe pedi nada, faça essa menina parar de se arrumar para nós irmos logo!
Aparecida: Tudo bem pai! Mas se me chamarem de feia, a culpa é do senhor.
Jorge: Tudo bem, tudo bem! Pode ir, irei dar as ordens aos escravos.
Taú: Não precisa dar ordem nenhuma não tio, já estamos cientes.
Jorge: Eu dou as ordens a hora que eu bem quiser. Se eu quiser, repito cinco vezes a mesma ordem. Eu quero que vocês, limpem essa mansão como se fossem limpar por completo a alma de vocês. Escutaram?
Taú: Sim
Xoloni: Sim
Jorge: Pois bem, quando eu retornar quero esse lugar sorrindo de tanto brilho
*Jorge sai*
Taú: Por onde nós começamos?
Xoloni: Aqui é realmente grande.. Que tal a gente começar pelo quarto?
Taú: Aqui temos 3 quartos, qual a gente começa primeiro?
Xoloni: O que você achar que dá menos trabalho.
Taú: Então, vamos por esse daqui.

Cena 3 - Fazenda de Jopretino - Noite
No fim do expediente, Zaila e Amara recebem a visita de Gaxambu na fazenda de Jopretino. O menino estava o dia inteiro trabalhando com outras crianças no outro lado da fazenda, o lado em que os escravos adultos são proibidos de entrar.
Gaxambu: Mãe!
Zaila: Meu filho, que saudade! Você está bem? Fizeram alguma coisa com você?
Gaxambu: Estou muito bem mãe! Calma, não fizeram nada..
Amara: Onde você estava menino?
Gaxambu: Eu estava com a Carolina. Mãe, você tem que se acostumar, já é a segunda vez que eu saio, e não a primeira...
Zaila: Que bom! Mas coração de mãe é assim mesmo meu filho. Comeu algo?
Gaxambu: Comi só frutas..
Amara: O importante é que você está aqui agora.. Daqui a pouco vamos para as senzalas.
Gaxambu: Então.. eu estou aqui como uma visita
Zaila: Como assim?
Gaxambu: Carolina arrumou uma senzala só para nós
Zaila: Quer dizer que não vou te ver mais?
Gaxambu: Não mãe, não é isso
Amara: Então o que é menino!? Explique direito!
Gaxambu: Eu irei morar agora em uma senzala separada. Nos veremos apenas nos fins de semana.
Zaila: Não é possível! Eles não podem fazer isso meu deus!

Cena 4 - Bar do Carlinhos - Dia
Toda manhã, Pedro Maciel vai ao Bar do Carlinhos, onde conversa sobre a vila e as fazendas com seus colegas de bebidas. 
Joaquim: Encha meu copo, Carlos!
Carlos: É para já
Pedro Maciel: Então.. Ficaram sabendo de uma festa que o Jorge vai dar na fazenda dele?
Carlos: Sim, parece que vai ser de aniversário da Jamili
Pedro Maciel: Esse povo não sabe nem criar uma festa surpresa, ficaria muito mais interessante
Joaquim: Chega de falar nesse assunto. Pra quê falar nesse assunto já que o seu Jorge não vai convidar a gente? Ele nunca convida os pobres, só os mais nobres vão as festas dele.
Pedro Maciel: Eu sou nobre, porém humilde. Então eu estarei nessa festa
Joaquim: Mas a maioria do povo aqui nesse bar não vai
Pedro Maciel: E aí se esse povo todo não vai. O importante é que eu vou.
De repente, a porta bate, é Jorge entrando no bar. 
Jorge: Cheguei
Carlos: Bem vindo novamente, Jorge, o que lhe trás a estes cantos?
Jorge: Eu quero uma dose. Uma dose bem louca mesmo.
Carlos: É pra já. Aliás homem, estávamos falando de você agora pouco.
Jorge: E que diabos eu posso saber do que estavam falando de mim?
Carlos: Sobre a festa que sua filha vai dar, porque o senhor não convida os pobre como nós?
Jorge: Festa minha não tem pra pobre não. Anda logo, chega de mimimi e vá fazer o seu trabalho.

Cena 5 - Fazenda Coro Velho - Mansão -  Dia - 1850 
Inicia-se uma nova fase, um salto de vinte anos acontece. Está rolando para todos os lados, pessoas brancas correndo entregando jornais para outras pessoas. Estavam noticiando algo de tão importante nos jornais, era a Lei Eusébio de Queirós, que proibia o tráfico negreiro. 
Joaquim: Moça, já pegou o jornal de hoje?
Hagata: Não, por quê?
Joaquim: Corre que está super importante, vou lhe entregar o jornal 

Tudo estava sendo observado por Aparecida que estava em uma janela ao lado de seu pai. Ela virou as costas e falou.
Aparecida: Não sei porque esse povo fica tão preocupado com isso, aliás a escravidão ainda não acabou.
Jorge: Vamos praticar agora somente o tráfico interno, já que o tráfico africano teve de acabar. 
Aparecida: Vamos dar essa notícia a nossos escravos?
Jorge: Não, não é necessário que eles fiquem sabendo do que acontece aqui fora. 
Jamili entra com uma sexta de flores na mão.
Jamili: Aparecida, essas flores são para você.
Aparecida: Que flores lindas, quem deu? 
Jamili: Parece ser um admirador secreto, estavam paradas na frente da casa, com um papel dizendo que era para você
Aparecida: Seja quem for eu agradeço pelo bom ato. 
Jorge: Vamos, não podemos perder tempo com flores. 
Jamili: Sim, concordo com o senhor. Inclusive, tenho de conversar com você mais tarde. 
Jorge: Sobre?
Jamili: Negócios, tenho certeza que lhe interessará.

Cena 6 - Fazenda Coro Velho - Área dos Escravos - Dia
Taú está observando os escravos trabalhando na Fazenda Coro Velho. Acontece que, com o passar do tempo, Taú foi ganhando mais respeito pelos escravos. Ele é chamado de Pai dos escravos nesta fazenda, por ser o escravo mais velho. com 50 anos. Cândido, um novo escravo, está selecionando mangas, ele logo faz uma pergunta a Taú.
Cândido: Taú, venha cá!?
Taú: Que foi homem?
Cândido: Qual tipo de manga que eles gostam?
Taú: Eles não tem preferência. Eles escolhem a manga na hora.
Cândido: Mas como assim, pai?
Taú: Cândido, o que você precisa na hora de escolher as mangas, é sorte. Você vai me entender um dia.
Gaxambu chega correndo pedindo ajuda à Taú. 
Taú: Por que está correndo assim, Gambu? Por onde estava?
Gaxambu: Jorge mandou eu cuidar das ovelhas, só que, as ovelhas fugiram. Vim correndo pedir ajuda ao senhor
Taú: Que pensamento de jegue viu moleque? Agora as ovelhas devem estar bem longe. Mas vamos procurar elas antes que Jorge ou qualquer outro descubra e acabe com tua raça.

Cena 7 - Fazenda Coro Velho - Mansão - Dia
Cândido foi entregar as mangas a Jorge. O coronel está sentando em uma cadeira quando ele chegou. 
Cândido: Ô coronel, eu trouxe as mangas que o sinhô pediu. 
Jorge: Eu não gosto desse tipo de manga
Cândido: Mas, sinhô
Jorge: Mas sinhô nada, podia ter trazido manga espada, manga rosa, entre outras, mas vem logo me trazer MANGA UBÁ?

Cena 8 - Mata dos Atracauê - Casa da Augusta - Noite 
Todo início de noite, Gaxambu e Augusta, que é filha de Aparecida, se encontram aqui. Acontece que, Jorge manda Gaxambu entregar as roupas de Augusta limpas a ela, toda noite. E a partir do primeiro dia, rolou um clima entre os dois, que agora namoram secretamente. 

Augusta: Quer mais uma xícara de chá?
Diferente dos outros da família, Augusta não é racista com os negros. Porém seu maior medo é alguém descobrir o relacionamento e contar a sua mãe ou seu avô. 

Gaxambu: Claro! Como andam as coisas aqui?
Augusta: Do mesmo jeito, coisas vem, coisas vão. Já to cansada disso, eu quero ir embora daqui Gaxambu! Até quando essas coisas vão continuar?
Gaxambu: Se depender de sua família é pelo resto da eternidade. Calma, nós conseguiremos superar isso, Augusta. Confia em mim.
Augusta: Eu confio.

Cena 5 - Fazenda de Jopretino - Mansão - Tarde
Dois dias se passaram. Carolina e José estão conversando sobre a sua fazenda. Carolina, está com uma xícara de café na mão e diz:
Carolina: Essa fazenda está uma decadência! Não sei mais o que fazer painho, é o fim!
José: Seu avô Jopretino também sofreu com a crise da época, mas não fechou a fazenda dele não, olha hoje, nós estamos com a mesma fazenda. Não é por causa disso que vamos fechar.
Carolina: Mas meu pai, você está como prova viva do que está acontecendo. Temos poucas escravas trabalhando aqui, já ninguém quer mais negociar com a gente.
José: Não querem mais negociar com a gente porque nós fizemos algo de errado. Aí devemos corrigir. Raciocina comigo, se fecharmos do que sobreviveremos?


NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO DE GIRA MUNDÃO!

sábado, 7 de novembro de 2015

Gira Mundão | Capítulo 1 | Nojo de negro



Capítulo 1:
Cena 1 - Cidade Matrênia - Nigéria - África - Dia
Taú, Zaila, Amara, Xoloni e Gaxambu estão à caminho dos navios negreiros junto aos outros negros. 
Zaila: Para onde estão nos levando, Xoloni?
Xoloni: E sou eu que vou saber? 
Taú: Devem estar nos levando para esses grandes barcos..
Carvalho: Sentem aqui, e esperem até a segunda ordem. 
Todos os cinco se sentam. Eles eram alimentados e engordados para que pudessem atravessar o Atlântico. Depois disso, eram levados aos navios. 

Cena 2 - Navios Negreiros - Dia - 1830
A história da escravidão no Brasil começou quando Martim Afonso chegou aqui para colonizar o país. Trouxe vários portugueses para morar aqui, eles escravizaram os índios, e viram que aquele ramo não deu certo. O fim da escravidão indígena foi oficializada pelo Marquês de Pombal. Então no século dezessete, começaram a escravizar os negros que moravam lá na África. Eles eram trazidos para cá por meio dos navios negreiros, muitos morriam e passavam mal durante a viagem, seja por doença ou por fome. 
Gaxambu: Mãe, quando é que isso irá passar?
Zaila: Não sei filho, alguns dias...
Gaxambu(assustado): Mas mãe.. alguns dias? Não sei se vou ficar vivo até lá!
Como alimento, recebiam punhado de farinha. As viagens duravam em torno quarenta e cinco dias, e muitos se jogavam no mar com seus bebês, para que eles não sofram quando crescerem.
                                   Amara(gritando): Kênia, não se jogue!
Kênia: Eu não aguento mais querida, eu tenho que ir.
Ela se jogou no mar com seu bebê. Os corpos mortos dentro dos navios, eram jogados nas águas. Quando chegaram aqui, eram analisados pelos portugueses.
                                   Xoloni: O que será que irão fazer agora?
Taú: Eles estão dando banho nos outros negros, mas com nojo!
Zaila: Esse povo branco tem nojo de nós. Nós não temos nojo deles. Nem sei o porque disso... não é necessário!

Os brancos davam banho nos negros com uma bucha, e bem forte esfregavam sobre a pele deles, achando que poderia ficar mais clara.

Cena 3 - Praia - Brasil - Tarde 
Os negros eram analisados pelos portugueses, olhavam os dentes e o físico e viam para que trabalho ele servia.
Carvalho: Abra a boca agora!
Eles pediam para olhar os dentes agressivamente, e pegavam na cabeça deles apertando, machucava. As vezes os escravos recusavam abrir a boca ou mostrar o físico, estes eram castigados. Os portugueses até(as vezes) mandavam-os tirar a roupa.
Carvalho: Muito bem, agora tire a roupa.
As famílias eram afastadas, a força. Depois de analisados eles eram vendidos para as fazendas, onde trabalhavam duro, e quem não andava na linha apanhava no tronco para servir de exemplo.
Zaila: Devolve meu menino! Gaxambu, volta!
Gaxambu: Me ajuda mãe!

Cena 4 - Fazenda Coro Velho - Dia 
Taú, Zaila, Xoloni, Amara e Gaxambu foram vendidos para a Fazenda Coro Velho onde quem mandava naquelas terras era Jorge. A fazenda Coro Velho não era uma 'fazenda comum'. Era uma fazenda de luxo. Todos os escravos negociavam com o coronel. 

Taú: Nós trabalhamos com cana de açúcar e o que recebemos em troca?
Jorge: Veremos.. Continue trabalhando que pensaremos em que você merece. Mas saiba que se desobedecer, o tronco lhe espera.
Taú: Fiquei sabendo das terras vizinhas, pelo que andam me dizendo eles são melhores que vocês.
Jorge: Você vai me agradecer muito, se continuar trabalhando aqui Taú. Lá, você realmente vai ser tratado muito pior. Agora pare de reclamar e vá trabalhar, já!

Cena 5 - Fazenda Coro Velho - Brasil - Noite
Amara: Acabou nosso trabalho?
Xoloni: Acho que sim Amara, são apenas doze horas por dia.
Taú: O único jeito de tirar a dúvida é perguntar para eles.
Amara: Não, acho melhor esperar para ver. Se vermos os outros saindo daqui a alguns minutos, também sairemos.
Zaila: Então tudo bem.
Gaxambu, filho de Zaila e Xoloni, estava fora. Enquanto os pais trabalhavam, quem cuidava supervisionava ele era Aparecida. Só no final do trabalho os pais poderiam ver os filhos. Quando ele a vê, ele corre para os braços dela.
Aparecida: Jorge mandou eu entregar o menino.
Zaila: Obrigada!
Enquanto Zaila agradecia, Aparecida olhava fixamente nos olhos dela, estranhamente, com uma cara de nojo. Logo depois de entregar o menino, ela vai embora. Zaila preocupada, pergunta:
Zaila: Meu filho, fizeram algum mal para você? Onde estava? Comeu o que?
Gaxambu: Calma mãe. Não fizeram nada comigo, muito pelo contrário. Trabalhei com as outras crianças que foram trazidas para cá, costurando tecidos.
Zaila: Ah que bom! Mas trabalharam aonde? comeu alguma coisa filho?
Gaxambu: Trabalhamos lá atrás daquele casarão. E só comi frutas.

Cena 6 - Fazenda Coro Velho - Dia
Francisco ensina Taú como funciona a fazenda Coro Velho. Eles amanheceram às seis da manhã. 
Taú: Nossa, eles batem para valer. Quais escravos já morreram aqui com isso?
Francisco: Já se foram vários amigos nossos. Alguns morreram fugindo, outros morreram apanhando.. Morre de tudo que é jeito. Um exemplo que eu posso citar é o Gabriel, ele fugiu para as terras vizinhas. Morreu no caminho pelos homens mandados por Jorge.
Taú: Quem são esses homens?
Francisco: Os homens são como chamamos, homem grandes que vestem azul e um grande chapéu amarelo, é uma característica exclusiva da fazenda Coro Velho. Só de aparecer um, todos derretem de medo.
Taú: Bem sábio você em..
Francisco: Fiz anos estudando com os meus próprios olhos, obrigado pelo elogio. Você ainda não tem noção de nada né?
Táu: Sou novo neste paradeiro, cheguei aqui ontem mesmo.
Francisco: Tem muito que aprender ainda rapaz, quantos anos?
Taú: Tenho 20 e você?
Francisco: Tenho 78 anos. Trabalho aqui há 43 anos.
Taú: Nossa é muito tempo! Quando você vai embora?
Francisco levanta
Francisco: Não há nenhuma previsão de quando eu irei sair deste presídio... As vezes eu penso que nem vou fugir daqui. Porque, o Antônio tem 92 anos, está de pé e não foi embora.
Taú: Affs, impossível! Com 92 anos só estarei babando, como eles podem obrigar um senhor de idade a trabalhar intensamente assim?
Francisco: É a vida Taú. Não nascemos negros porque quisemos. Nascemos com essa cor e agora temos que superar todas a diferenças.
Taú: Gostei de você. Bastante sábio, parece um amigo meu... Ele é um grande gênio.
Francisco: Haha! Obrigado, você é bastante gentil.

Cena 7 - Mansão - Quarto - Dia
Aparecida está conversando com sua amiga de jardim, Jamili.
Jamili: Aparecida, já arrumei os preparativos para a festa
Aparecida: Ótimo, agora precisamos de pessoas para cuidar da decoração, comida, vestimentas. Estou muito ansiosa!
Jamili: Esse trabalho é mole, deixa tudo para os escravos de seu pai.
Aparecida: Não sei não em Jamili, eu pedir uma coisa pro meu pai atualmente não é nada fácil, ele está bastante estressado com os escravos e comigo também.
Jamili: Então, já aproveitando que ele está estressado manda esse trabalho para os negros, assim eles trabalham mais. Porque eles não fazem mais nada nesta fazenda a não ser catar cana de açúcar, agora eles podem também cuidar da festa.
Aparecida: Tá Jamili, você me convenceu. Vou falar com Jorge para ver se ele deixa, e calma, paciência!

Cena 8 - Fazenda de Jopretino - Tarde
As mulheres e crianças foram postas para trabalhar em uma fazenda diferente, a fazenda de Jopretino. Nessa fazenda, quem manda é José. Zaila, Amara e Gaxambu trabalharam lavando roupas, tecidos, coletando frutas entre outros. Todos foram divididos. Zaila trabalha coletando frutas. Ela está coletando mangas direto do pé.

Zaila(conferindo as mangas e falando alto): Manga podre, manga vermelha, espada... E agora, que tipo de manga eles gostam? Ela pergunta para Amara que está no chão à cerca de dois metros longe dela. Amara responde:
Amara: Você deveria ter perguntando antes de começar né Zaila. Agora vai lá perguntar porque estou ocupada, estas roupas estão encardidas!
Zaila: Estou com muito medo de perguntar Mara.. Em falar em roupas encardidas, Gaxambu ficou com os tecidos. Como é que está se saindo?
* Do outro lado da fazenda*
Zarina: Ei menino! Quantos anos você tem?
Gaxambu: Tenho quatro anos e você?
Zarina: Nossa e você não tem medo de mexer com agulha de ferro não? Tenho seis anos
Gaxambu: Estou acostumado já, é costume de fazer isso. Minha família trabalha com tecidos há anos..
*Voltando ao outro lado*
Uma das escravas está caminhando na plantação olhando o trabalho dos escravos à mando de José.
Amara: Olha pergunta para esta mulher ai..
Zaila: Moça, você trabalha aqui a quanto tempo?
Janaina: Trabalho aqui há 9 anos, por quê?
Zaila: Ótimo! é que você pode me dar uma informação?
Janaina: Claro!
Zaila: Você sabe os tipos de mangas que eles gostam de comer? Para não pegar errado....
Janaina: Olha moça, desde quando eu comecei a trabalhar aqui na lavoura, eles não tem essa de escolher manga assim deste jeito não.. Você pega qualquer uma manga aí e entrega pra eles, se eles não gostarem do que você trazer é dó. Agora desculpa aí qualquer coisa, vou indo!
Zaila: Obrigada moça
* Ela se retira, depois Zaila vira, olha para Amara e diz*
Zaila: E agora, Amara?
Amara: Segue as dicas que ela lhe deu.

Cena 9 - Fazenda Coro Velho - Tarde
Jorge está sentando em uma cadeira, olhando o trabalho dos escravos e conversando com Lopes. 
Jorge: Lopes, se você mandasse em algo, qual desses escravos você compraria para a sua fazenda?
Lopes: Olha senhor, pra falar a verdade o único que vale ainda a pena, é o Gonçalves...
Jorge: Você ainda vive insistindo no Gonçalves.. esse aí já é pedir pra morrer, está muito velho..
*Aparecida chega correndo e rindo com Jamili*
Aparecida: Ei pai! Jamili e eu andamos pensando, sobre a festa... Temos muito trabalho para frente, e decidimos que..
Jorge: Que?!
Jamili: Que nós déssemos todo o trabalho para os escravos.. eles não fazem nada além de plantar cana...
Jorge: O que você acha, Lopes?
Lopes: Numa boa cara
Jorge: Então tudo bem, os preparativos começam quando?
Aparecida: Ihh
Jorge: O que houve agora Maria Aparecida?
Jamili: Ainda não marcamos o dia..
Jorge: Como vocês querem algo sem ainda nem começar? O tempo não volta. Só mencionem essa festa para mim, quando pelo menos o dia estiver marcado.
Aparecida: Tudo bem
*Aparecida e Jamili saem* 
Após as duas amigas saírem, Lopes diz:
Lopes: Linda sua filha em?
Jorge: Ah, essa boca moleque! Ela é uma moça direita, de família, não irá namorar nem casar com você.
Lopes: Posso dar uma palavrinha com sua filha na mansão?
Jorge: Vai vai, mas qualquer coisa além do comum, você vai ver.


Não percam o próximo capítulo de GIRA MUNDÃO!