sábado, 30 de abril de 2016

Gira Mundão | Capítulo 6 | Sonha comigo? | 1871

ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR:
Carolina: Pai, já estou mais que decidida.
Carolina, coloca a placa na fazenda. 
José: Agora que tu colocastes esta placa, para onde irão nossas escravas? 
Carolina: A fazenda Coro Velho cuidará delas. Cuidaram, melhor que nós. 
José: É o que veremos Carol, é o que veremos.

CAPÍTULO 6:
Vinte e um anos se passaram, a maioria das coisas continuam as mesmas na fazenda Coro Velho. Apenas, alguns negócios mudaram de 1850 à 1871.



Cena 1 - Fazenda Coro Velho - Mansão -  Escritório - 1871
Nicolau e Aparecida estão tratando assuntos da Fazenda Coro Velho. Nicolau está fumando cachimbo e Aparecida com um leque.
Nicolau: Tome isso, essa parte do dinheiro se destina à Pascoal.
Aparecida: E a outra parte?
Nicolau: Essa é minha
Aparecida: Seu pão duro, nunca dividiu nada comigo
Nicolau: E nem dividirei. Aproveitando que você está aqui, quero falar sobre sua filha, Augusta.
Aparecida: O que tem Augusta?
Nicolau: Aquela menina vive me desobedecendo
Aparecida: Você não é nada dela
Nicolau se enfurece, levanta e joga o cachimbo contra a parede
Aparecida: Ficou louco?
Nicolau: Como assim eu não sou nada dela? sussurrou ele. 
Aparecida: Ué homem. Ela só lhe conheceu depois que veio ficar como coronel aqui.
Nicolau: Sou tio dela, como um pai que nunca teve.
Após ouvir isso, Aparecida bate a mão na mesa de Nicolau, furiosa diz
Aparecida: Mentira! O pai dela teve de se ir por causa da família. Ele amava ela como amava a mim.
Nicolau: Se fosse por isso não teria sumido sem deixar notícias
Aparecida: Bem que é real mesmo. Cadê você Juvenal? Não tenho notícias a mais de quarenta anos. Não sei nem se está vivo.
Nicolau: Provavelmente está ou não está, mas ligando pra você, não, posso afirmar. Minha irmã, você tem que abandonar esse passado. Quando jovem, você era bem sorridente. Agora é uma mulher chata, que vive lembrando do passado. Descola, vai!
Aparecida: Eu sempre estou arrependida com o tempo Nicolau. O tempo me trouxe muitas coisas ruins com o passar dos anos.
Nicolau: Cite pelo menos uma coisa?
Aparecida: O tempo levou meu pai, Nicolau. Levou meu pai. Que sempre esteve comigo. Era mais que merecido não um minuto de silêncio, mas sim, uma eternidade. Eu só tenho a você, Augusta e Jamili na minha vida agora. Só.

Cena 2 - Jardim das Boas Flores - Dia
Augusta e seu marido, Roberto estão dançando uma bela música em uma festa que Amadeu deu no Jardim das Boas Flores. 
Augusta: Vamos homem, mexe esse esqueleto!
Roberto: Vou não, vou não, é o cansaço.
Augusta: Que cansaço homem, vem, vem dançar, vem viver! Vem aproveitar a minha volta pro Brasil!
Augusta para de dançar, se ajoelha no chão e começa a dizer
Augusta: Meu Brasil! Agarre essa menina que acabou de chegar para ficar! Depois de tantos anos morando e estudando na Itália meu deus.
Roberto: Chega, se levanta que vão achar que você é louca.
João, um dos convidados da festa e colega de Augusta, chega para perto da mesma e diz
Augusta: Vem João! Venha dançar comigo
João: Hoje é um grande dia para Gaxambu
Augusta: O quê?
Augusta logo levanta, surpresa.
João: A senhora tá sabendo não? Vão soltar ele da jaula hoje ou amanhã, só sei que disso não passa.
Augusta: Roberto, vamos para casa agora.
Roberto: Mas não era você que queria dançar, curtir?
Augusta: Não não, vai, vamos pra casa.
Roberto: Então tudo bem.
Na saída, Amadeu para os dois. 
Amadeu: Pra onde estão indo filhos de Deus?
Augusta: Ô Amadeu, estamos indo pra casa homem.
Amadeu: Por que, a festa está ruim é?
Roberto: Que nada, a festa está uma beleza. É que as vezes dá um chilique e lique na Augusta que ela decide essas coisas em cima da hora, não entendo ela de vez em quando mas já me acostumei.
Amadeu: Ah, sendo assim, Deus ilumine o caminho de vocês dois!
Roberto: Amém Amadeu, amém!

Cena 3 - Fazenda Coro Velho - Mansão - Cozinha - Dia
Jamili está na cozinha acompanhando o jantar de dona Clementina, a empregada da fazenda.
Clementina: Daqui a pouco dona Jamili, o café estará na mesa.
Jamili: Que delícia Clementina! Só você mesmo pra fazer essa comida maravilhosa!
Clementina: Que isso patroa!
Jamili: Que isso nada mulher, vamos, me conte a receita.
Clementina: Muito amor e atenção com o que se faz.
Jamili: Ui, gostei viu! Sempre você com essas receitas. Você sabe por onde anda Tião?
Clementina: Esse aí sumiu ontem de madrugada, ninguém sabe por onde anda, mas dá uma volta na fazenda, acho que ele está por lá.
Jamili: Então tá bom, se alguém perguntar por mim, responda que estou na fazenda.

Cena 4 - Mansão - Fazenda Coro Velho - Início da tarde
Augusta e Roberto chegaram na mansão. Eles se deparam com Jamili na entrada.
Jamili: Augusta, como vai?
Augusta: Ótima! e você? como vai o menininho que está nessa sua barriga?
Lágrimas começam a sair dos olhos de Jamili. 
Roberto: O que aconteceu Jâ?
Jamili: Nada
Augusta: Desembucha mulher!
Jamili: Eu perdi meu neném Augusta.
Augusta: Meus pêsames
Roberto: É.. Augusta..
Augusta: O que foi Roberto?
Jamili: Bem é.. isso é outro assunto, conversaremos sobre depois, mas, como foi a festa?
Augusta: Foi ótim...
Augusta é interrompida por Roberto
Roberto: Augusta não deixou a gente continuar na festa porque deu umas doideiras nela que quis ir embora.
Jamili: Tá bom então.. vou me indo, tenho que procurar Tião
Augusta: Tião tava banhando as vacas
Jamili: Sério mesmo é? esse homem cada dia me surpreende.
Roberto: Qual o problema em banhar vacas?
Jamili: Tião, vocês sabem, é preguiçoso. Mas ultimamente esteve trabalhando duro viu..
Augusta: Realmente, deixe-me entrar...
Jamili: Deixe-me sair! haha!

Cena 5 - Mansão - Fazenda coro Velho - Início da tarde
Aparecida está sentada no sofá da mansão bebendo chá. Augusta e Roberto chegam.
Augusta: Grande coisa Roberto, isso que você viu lá fora.
Roberto: Mas eu tenho certeza que...
Augusta: Oi minha mãe, tudo bem?
Aparecida: Oi minha filha.. Como foi a festa?
Augusta: A festa foi ótima o problema é Roberto.
Aparecida: O que foi meu genro?
Roberto: Augusta quis vir do nada de uma hora para outra...
Aparecida: É normal e você sabe disso..
Augusta: Então minha mãe, quero conversar a sós com você.

Cena 6 - Fazenda Coro Velho - Varanda da Mansão - Início da tarde
Taú está sentado em uma cadeira. Ele continua sendo o negro mais velho da fazenda, com 71 anos. Podemos dizer que, Taú não é mais um escravo da fazenda já que, Aparecida e Nicolau preservaram ele por esse e outro motivo. Esse é o benefício que nenhuma outra fazenda da grande cidade Guazibarros tem. 
Maria Lourença: Taú, tenho boas notícias para você.
Maria Lourença, é uma das ajudantes de Aparecida. Ela é muito conhecida pelos escravos por mandar notícias. 
Taú: Diga-me, quais as notícias?
Maria Lourença: Na verdade, é apenas uma.. Gaxambu será solto hoje mesmo no início da noite.
Taú: E isso é uma boa notícia?
Maria Lourença: Como assim? É seu filho!
Taú: Ele estava é de castigo por se meter com essa gente. Ou eu me enganei o tempo todo? acho que quem está de castigo sou eu, preso nessa cadeira pelo resto da minha vida.
Taú perdeu o movimento das pernas em um acidente grave enquanto trabalhava na fazenda, todos ficaram preocupados. Esse é o outro motivo da preservação. 
Maria: Eu entendo mas.. não pode deixar levar a auto-estima. Bem, meu papel foi feito, vim dar o recado como dona Aparecida pediu. Qualquer coisa, só chamar.

Cena 7 - Mansão - Quarto - Fazenda Coro Velho - Início da tarde
Augusta: Eu prometi a senhora que nunca mais tocaria nesse assunto mas, tudo está voltando a tona, não é a primeira vez..
Aparecida: Me explique melhor.. não consigo entender essas suas palavras.
Augusta: É GAXAMBU MINHA MÃE, É GAXAMBU!
Aparecida: Esse nome..
Augusta: Eu sei minha mãe, eu sei mas.. 
Aparecida: Você ficou sabendo? 
Augusta: Fiquei sim, é por isso que estou aqui. Vai soltar ele mesmo?
Aparecida: O que rola pela boca do povo nessa fazenda na maioria das vezes é a verdade pura, desta vez não é diferente então sim. Olha minha filha, eu sou diferente de seu avô Jorge, eu cumpro com o que digo. Foram vinte anos prendendo ele lá, sem ver a luz do sol. Agora é a hora de soltá-lo. 
Augusta: Mas se tudo vier a tona de novo mãe.
Aparecida: Vira essa boca pra lá, não vai, não vai!
A porta do quarto se abre, é Nicolau entrando.
Nicolau: Desculpe interromper a conversa das duas mas, tive que entrar para pegar isso daqui
Aparecida: Olha que eu escondi viu?
Nicolau: Eu sei onde estão minhas coisas. Sei de tudo daqui, tudo. 
Aparecida: Tá bom sábio, agora sai. 

Cena 8 - Mansão - Escritório - Fim da tarde
Nicolau: É Gaxambu... Liberdade vai cantar para você hoje.. Se você está pensando em reencontrar Augusta, pode tirar o cavalinho da chuva.. pode tirar...

Cena 9 - Vila Matias - Fim da tarde
Joaquim está entregando o jornal para todos os moradores da Vila Matias. 
Joaquim: IMPORTANTE, IMPORTANTE! Olhem os jornais, IMPORTANTE!
Uma moça o viu e perguntou
Moça: O que tem de tão importante, Joaquim?
Joaquim: A princesa Isabel assinou a lei do Ventre Livre. Agora as crianças que nascerão a partir de hoje, não serão mais escravas, serão livres.
Moça: Vixe, que baboseira é essa me explique melhor homem.
Joaquim: As criança que nascerão a partir de hoje não trabalharão mais como escravos. Agora as crianças tem duas possibilidades: elas podem ficar ao cuidado dos senhores ou entregues ao governo
Moça: Daqui a pouco vai ter lei até pros adultos, e agora, com que a gente fica?

Cena 10 - Fazenda Coro Velho - Área dos Escravos - Início da noite 
Gaxambu foi solto por Aparecida. Neste momento, ele já começou a trabalhar na fazenda e ao mesmo tempo está conhecendo os escravos. 
Gaxambu: A quanto tempo que eu não vejo a lua meu deus!
Cândido: A lua sempre esteve aqui, Gaxa, esperando por você.
Gaxambu: E eu por ela. Ficar preso em uma jaula esses anos todos me deu muita coragem para enfrentar a vida agora Cândido.
Cândido: Só tome cuidado para não cruzar os antigos caminhos de novo.. cuidado.

Cena 11 - Mansão - Quarto de Augusta - Noite 
Augusta está dormindo ao lado de Roberto em sua cama. A mulher começa a debater, andar para lá e para cá e do nada acorda. Ela fala baixinho:
Augusta: Por que eu não consigo esquecer esse homem meu deus! Até nos meus sonhos ele aparece. Me dê uma resposta. Me ajude!



quinta-feira, 21 de abril de 2016

Gira Mundão | Capítulo 5 | Fazenda fechada

ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR: 
Aparecida: Agora só tem eu e você aqui Gaxambu, só eu e você.
Gaxambu: O que você vai fazer comigo?
Aparecida: Eu serei muito mais boazinha do que meu pai foi com você. Eu vou puni-lo.
Gaxambu: Meu deus!
Aparecida: Calma! Não terminei de falar ainda. Gaxambu, você ficará preso por dez anos, em uma jaula humana.
Gaxambu: Não faça isso, por favor! fala Gaxambu, sob os pés de Aparecida
Ela, irritada empurra ele. 
Gaxambu: Não faça isso comigo, por favor!
Aparecida: Esse é o seu castigo por ter mexido com um membro da família. Seu negro medíocre.
Depois de falar isso, ela cospe no rosto de Gaxambu. 

Capítulo 5
Continua: 




Cena 1 - Fazenda Coro Velho - Dia 
Mais um dia amanhece na fazenda Coro Velho. Taú e os outros escravos, estão observando mais um deles apanhando no tronco.
Taú: Foi assim, que minha Amara morreu.
Habib: Quem é Amara?
Taú: Era uma grande amiga minha, não só amiga como namorada da adolescência. Sinto muita saudade dela
Habib: Meus pêsames
Taú: Ela morreu a exatos dez anos. Junto com ela se foram Zaila e meu parceiro, Xoloni.
Habib: E quem são estes?
Taú: Zaila era uma grande mulher. Xoloni, era um grande amigo. Os dois eram casados. Ele morreu sendo caçado pelos homens. Ela morreu de tanta preocupação, pois ficou dois dias esperando ele voltar, e ele não voltou.
Habib: Estás aqui a quanto tempo, Taú?
Taú: Entrei aqui em mil oito centos e trinta. E só saio daqui quando o pai me permitir.
Habib: Que isso homem? Já pensando na morte é?
Taú: Eu não. Mas sabe? ele já pode me levar. Meu papel aqui já foi cumprido com êxito. E você meu jovem, a quanto tempo está aqui?
Habib: Ah Táu, estou aqui desde ontem mesmo.
Taú: Tem muito a aprender, muito a aprender.

Cena 2 - Fazenda Coro Velho - Mansão - Dia
Jamili está apresentando a Nicolau a fazenda Coro Velho. 
Jamili: E não a de pensar que esta fazenda é nova não, tá?
Nicolau: Eu sei tudo dona Jamili. Eu morei aqui meus primeiros anos de vida. Conheço esse lugar a mais tempo que Aparecida.
Jamili: Mas escuta coronel, vocês não me contaram sobre esse passado sombrio de vocês não?
Nicolau: Melhor nem saber
Jamili: Se eu não sei por você, sei por Aparecida.
Nicolau: Tá bom. Eu me separei daqui, quando meu pai se separou de uma parte de nossa família.
Jamili: Como assim?
Nicolau: Meu pai brigou com meu tio, José. E aí os dois se tornaram rivais. Depois da briga, nenhum dos dois se olharam mais cara a cara.
Jamili: Quer dizer que José é irmão de Jorge?
Nicolau: Os dois são filhos de Jopretino, que vocês chamam de Salomão. Esse cara, tinha as duas fazendas que hoje brigam tanto.
Jamili: Não sabia.
Nicolau: Aparecida todos os dias tenta esquecer isso, desde pequenininha. Mas ela não consegue. Ela queria muito rever a irmã, Carolina. E eu tenho certeza que ela vai aproveitar essa oportunidade dada.
Jamili: Sei não viu. Sei não.

Cena 3 - Fazenda Coro Velho - Mansão - Dia
Augusta acorda da cama. Ao levantar ela toma um susto com Manuel a observando, sentado em uma cadeira. 
Augusta: O que está fazendo aqui Manuel?
Manuel: Cumprindo ordens da patroa.
Augusta: Minha mãe chegou a esse ponto. Vou tomar banho agora, quer vir me espionar?
Manuel: Só se sua mãe mandar
Augusta: Desencana, Manuel!

Cena 4 - Mata dos Atracauê - Dia
Aparecida está mandando os homens retirar os pertences de Augusta, da casa dela.
Aparecida: Augusta agora morará na Itália.
Cristóvão: Como assim, patroa?
Aparecida: Vou colocar ela na Europa, para ficar bem longe dessa raça negra que nós temos por aqui. Ela um dia vai me agradecer
Cristóvão: Vai ser por muito tempo?
Aparecida: O tempo que for preciso. Ela precisa pensar no que fez e ocupar a mente. Agora vá tratar de retirar os pertences da moça.
Cristóvão: É para já senhora
Aparecida: E mande alguém me levar até a fazenda. Uma donzela como eu não posso andar sozinha por aí, correto?
Cristóvão: Correto, madame!
Depois de Cristóvão se ir, Aparecida fala: 
Aparecida: Vamos logo Cristóvão.. Preciso de alguém pra dar uma verificada no Gaxambu.

Cena 5 - Fazenda Coro Velho - Dia
Taú: Você sabia que eu sou o mais velho escravo dessa fazenda, pelo menos por agora?
Habib: E é? Quantos anos senhor tem?
Taú: Eu estou com cinquenta anos. Quando eu cheguei aqui, tinha escravo até de noventa. Pena que todos eles já se foram, e eu sou o que restou. Não vai demorar muito, sou o próximo.
Habib: E como o senhor quer ir?
Taú: Pelo tronco que não! Muito dolorido. Prefiro ir da noite pro dia, que nem minha tia Damuf se foi.
Habib: Interessante. Essa fazenda tem muita história
Taú: E vai continuar fazendo muita história ainda, tenho certeza, de que mais anos ela aguentará.

Cena 6 - Fazenda de Jopretino - Tarde
Carolina está fechando a Fazenda de Jopretino. José, está ao lado dela com uma bengala, chorando. 
José: Pense bem, ainda dá tempo minha filha. Não coloque essa placa
Carolina: Meu pai, já conversamos sobre
José: Colocando essa placa, você está desonrando à Jopretino. Você quer se entregar a outra parte da família, depois de tudo que fizeram?
Carolina: Não! Não vai acontecer isso meu pai!
José: Fechando essa fazenda, vai! E eu não duvido muito de que acontece daqui a alguns dias.
Carolina: Pai, já estou mais que decidida.
Carolina, coloca a placa na fazenda. 
José: Agora que tu colocastes esta placa, para onde irão nossas escravas?
Carolina: A fazenda Coro Velho cuidará delas. Cuidaram, melhor que nós.
José: É o que veremos Carol, é o que veremos.




Gira Mundão | Capítulo 4 | Novo Coronel

ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR: 
Nicolau: Vamos logo Aparecida, tô com pressa
Aparecida: Calma, tô esperando esse homem aqui desembuchar
Cristóvão: Sua filha, está realmente namorando o Gaxambu. Precisamos ir lá rápido.

Capítulo 4
Continua:



Cena 1 - Mata dos Atracauê - Casa da Augusta - Tarde
Augusta e Gaxambu foram amarrados com uma corda no chão. Eles estão chorando, pedindo por piedade.
Gaxambu: Nós solte por favor!
Manuel: Até parece que vou seguir ordens de um negro, negro não, um bicho!
Augusta: Ele é um humano como todos nós somos!
Manuel: Você só pode estar delirando né Augusta? Só soltarei vocês quando Aparecida vier aqui.
Manuel escuta o barulho dos pés de cavalos. Ele logo diz
Manuel: Olha ela, chegou.
Os outros dois comparsas de Manuel recebem Aparecida e trazem ela até a moradia da filha dela. Aparecida, surpresa quando vê a cena, diz:
Aparecida: O que deu em sua cabeça, Augusta? Já é tanta coisa ruim acontecendo, e você me vem com essa! Só pode estar caçoando da minha cara, óbvio!
Augusta: Eu não estou brincando! Nós nos amamos!
Gaxambu: É nós amamos!
Aparecida: Cala boca Gaxambu, você eu me trato depois.
Aparecida se agacha e acaricia o queixo de Augusta.
Aparecida: Você tem ideia do que está fazendo?
Augusta: Tenho, mais consciência do que você aliás
Aparecida dá um tapa no rosto de Augusta
Aparecida: Olha o jeito que fala comigo mocinha.
Aparecida se levanta
Aparecida: Levem Augusta para a fazenda. Gaxambu fica aqui, teremos uma conversa.

Cena 2 - Mata dos Atracauê - Tarde
Augusta está sendo levada a força por Manuel e Cristóvão para a fazenda Coro Velho. 
Augusta: Me solta, me solta!
Cristóvão: Não adianta fazer essa rebeldia toda, minha senhora.
Augusta: Eu só quero viver, só quero viver
Manuel: E nós queremos nosso salário no final do mês. Anda logo com isso Cristóvão
Cristóvão joga ela para dentro do automóvel e o dois seguem em direção a fazenda Coro Velho. 

Cena 3 - Fazenda Coro Velho - Final de tarde 
O automóvel chega na fazenda. Augusta chorando, é posta para fora. Taú, sentado em uma cadeira, assiste tudo de camarote. Ele diz
Taú: Vishe! Augusta chorando, alguma coisa aconteceu. 
Cristóvão segura a moça e a leva para dentro da mansão. Manuel vê Taú e diz
Manuel: A coisa ficou feia viu, se eu fosse você, estaria trabalhando em vez de ficar observando. 
Taú: Tá bom. 
Taú se levanta e vai ajudar os outros escravos.
/Dentro da mansão/
Cristóvão joga Augusta chorando no sofá.
Cristóvão: Fique aqui até a segunda ordem. Manuel, fique de olho, vou retornar a mata dos atracauê caso Aparecida necessite de ajuda minha.
Manuel: Tudo bem.

Cena 4 - Mata dos Atracauê - Casa da Augusta - Final de Tarde
Aparecida: Agora só tem eu e você aqui Gaxambu, só eu e você.
Gaxambu: O que você vai fazer comigo?
Aparecida: Eu serei muito mais boazinha do que meu pai foi com você. Eu vou puni-lo.
Gaxambu: Meu deus!
Aparecida: Calma! Não terminei de falar ainda. Gaxambu, você ficará preso por dez anos, em uma jaula humana.
Gaxambu: Não faça isso, por favor! fala Gaxambu, sob os pés de Aparecida
Ela, irritada empurra ele. 
Gaxambu: Não faça isso comigo, por favor!
Aparecida: Esse é o seu castigo por ter mexido com um membro da família. Seu negro medíocre.
Depois de falar isso, ela cospe no rosto de Gaxambu. 



sexta-feira, 8 de abril de 2016

Gira Mundão | Capítulo 3 | Amor proibido

ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR: 
Carolina: Mas meu pai, você está como prova viva do que está acontecendo. Temos poucas escravas trabalhando aqui, já ninguém quer mais negociar com a gente.
José: Não querem mais negociar com a gente porque nós fizemos algo de errado. Aí devemos corrigir. Raciocina comigo, se fecharmos do que sobreviveremos?

CAPÍTULO 3
Continua: 


Cena 1 - Bar do Carlinhos - Tarde
Pedro Maciel foi ao bar do Carlinhos para conversar com ninguém nada menos que, Carlos. Ele abriu as portas na maior agressividade, assustando os que estavam lá.
Pedro Maciel: Cadê Carlos?!
Carlos: O próprio aqui
Pedro Maciel: O que foi que você fez?
Carlos: Oshe, nada! Tô mais parado aqui do que santo, oshe homem!
Pedro Maciel: Não minta pra mim. Se for homem de verdade, diga a mim o que você fez com Deodata?
Carlos: Deo quem? Você tomou seu remédio hoje?
Pedro Maciel: Eu sei que você fofocou sobre ela... Mas, me diga por favor a quem você fofocou.
Um dos homens que estavam no bar, irritando com a situação, levantou-se e disse:
Venâncio: Ei macho, deixa o cara. Se quiser brigar brigue com alguém do seu tamanho.
Pedro Maciel virou para trás, sorrindo sarcasticamente, e disse
Pedro Maciel: Literalmente
Ele ironizou Carlos que, esqueceu de crescer aos 12 anos. Um outro homem, falou:
Diamantino: Ei, sem brigas. Isso aqui é um bar e não o que vocês acham que é.
Os outros homens levantaram e pegaram Pedro pelos braços e jogaram ele para fora do bar. 
Pedro Maciel: Eu não vou desistir tão fácil, Carlos. Eu sei que você é o maior vilão de toda essa história!
As portas do bar fecham. Carlos assustado com a situação, diz:
Carlos: Que loucura! Será que ele bebeu antes de vir para cá? 


Cena 2 - Fazenda Coro Velho - Noite 
Jorge está seriamente doente. Corre risco de morrer a qualquer momento. Aparecida está preocupada, andando para lá e para cá. Jorge está de cama, ele se recusa a ir ao médico. 
Aparecida: Meu deus, nem quando o avô está doente ela aparece
Jorge: Eu estou me indo, Aparecida.
Aparecida: Não fala isso nem brincando meu pai, vai viver muito ainda.
Jorge: Eu não quero. Já vivi 96 anos hâm? Já tá bom demais. Eu construí minha família, honrei o nome de meu pai Salomão, e agora minha missão na terra foi cumprida minha filha. É você quem vai continuar tudo junto com Augusta.
Aparecida: Não me deixe sozinha nesse mundo meu pai
Jorge: Sozinha não, tá com Augusta
Aparecida: Minha filha ultimamente esteve cada vez mais distante de mim. Por favor painho..
Jorge segura a mão de Aparecida, que está sentada em uma cadeira do lado da cama. Logo em seguida ele diz
Jorge: Eu sempre estarei com você em tudo, lá na sua cabeça. Quando precisar, só me chamar.
Aparecida: Mas e a fazenda meu pai?
Depois disso, Jorge morre. Deixando sua filha apenas com uma fiel companheira, Jamili. 
Aparecida: Não meu pai, não se vá! Me responda, me responda!
Aparecida chora sobre o corpo de seu pai. 

Cena 2 - Fazenda Coro Velho - Área dos Escravos - Madrugada
Aparecida fez uma reunião de última hora com todos os escravos da fazenda. Junto a ela, estava Jamili. 
Jamili: O que aconteceu mulher, pra tu fazer uma reunião surpresa a uma hora dessas? Eu estava dormindo!
Aparecida: Me desculpe por lhe acordar assim, mas foi preciso. 
Todos os escravos chegaram, é quando começa o discurso. Aparecida que está em cima de uma cadeira começa a falar. 

Aparecida: Hoje, dia 6 de Setembro de 1850, às dez e quarenta e cinco da noite, morreu um dos maiores donos que essa fazenda já teve, Jorge. Essa fazendinha aqui, já é velha também. Ela começou há quinhentos e quarenta e sete anos. Já passou por muita gente da minha família. E não é pela morte de meu pai que a fazenda vai acabar. Nós vamos arrumar um jeito de continuar isso. Eu prometo a vocês. 

Cena 3 - Mansão - Madrugada
Após dar a curta reunião, Aparecida entra para dentro da mansão. Lá, ela é perseguida por Jamili que segura no braço da amiga e a pergunta
Jamili: Como assim Aparecida?
Aparecida: Como assim o quê?
Jamili: Como vai continuar com esta fazenda? Você é uma mulher.
Aparecida: Mas eu não sou filha única. Vou tentar recorrer ao meu irmão.
Jamili: Depois de mais de trinta anos Aparecida.

Aparecida: É impossível ele recusar o pedido.

Cena 4 - Mata dos Atracauê - Casa da Augusta - Dia
Augusta está costurando vestimentas, quando de repente Gaxambu aparece correndo
Augusta: Que demora viu, Gaxambu? 
Gaxambu: Eu estava trabalhando. Sorte sua que eu pude sair do expediente e vir para cá. Tenho uma notícia ruim para você
Augusta: Tá bom, mas, qual a notícia?
Gaxambu: Seu avô, Jorge morreu.
Augusta: Mentira!
Gaxambu: Verdade!
O que os dois não sabem, é que um dos amigos de Aparecida perseguiu Gaxambu no caminho até a casa de Augusta. Ele se escondeu na mata e está observando tudo. 
Gaxambu: Acredite em mim!
Augusta: Mas isso não vem ao caso, trouxe minhas frutas?
Gaxambu: Trouxe
Augusta: Tudo bem, tome isso em agradecimento
Augusta dá um beijo na boca de Gaxambu. Surpreso, o homem saí dos arbustos e revela estar espionando. 
Manuel: Ora ora, tenho notícias para dar a Aparecida. Que lindo o casal.
Os dois se assustam e Augusta diz
Augusta: O que veio fazer aqui Manuel?
Manuel: Aparecida mandou eu perseguir Gaxambu. Acontece que, você esteve demorando muito para voltar nos últimos dias. 
Gaxambu: O tempo que eu fico aqui não é problema dela
Manuel: Errado! É aí que você mais erra.. Vou voltar pra lá com mãos cheias de notícia. Quero ver se o casal continua depois dessa.
Manuel chama seus comparsas que o acompanharam o caminho inteiro. Ele manda um deles ir avisar Aparecida. Enquanto dois ficam ajudando ele. 

Cena 5 - Vila Matias - Dia
Aparecida foi até a Vila Matias anunciar a notícia à Nicolau. Ela bate na porta da casa dele
Aparecida: Ô de casa - gritou mas ninguém respondeu. Ela gritou de novo
Aparecida: Ô de casa, tem alguém ai?
Imediatamente, a porta abriu. Ela entrou na casa escura. Com medo perguntou:
Aparecida: Cadê você, Nicolau?
Ninguém respondeu. Aparecida, com medo ameaça:
Aparecida: Acho que não tem ninguém aqui. Vou me embora
Quando uma voz misteriosa, aparece:
Nicolau: Ô minha irmã, não se vá. O que lhe trás aqui depois de trinta e dois anos?

Cena 6 - Vila Matias - Casa do Nicolau - Dia
Aparecida toma um susto e responde
Aparecida: Ah, você está aqui! Ligue essas luzes, preciso conversar urgentemente contigo.
Nicolau: Conversar comigo? Deve ser bem importante mesmo..
Aparecida: Sim, e é. Onde podemos conversar? 
Nicolau: Aqui mesmo, sente-se nas cadeiras. 
Os dois se sentam
Aparecida: Então, Nicolau, você é a única pessoa que nos resta. 
Nicolau: O que é agora? Vai me pedir algo? Achei que tinha me esquecido há 32 anos atrás.
Aparecida: Aquilo é passado meu irmão.
Nicolau: Passado? Diz isso por que não aconteceu com você. Fui abandonado pela minha própria família. Eu cresci aqui, e não naquela fazendinha medíocre.
Aparecida: Oxe homem, se arrete! Nosso pai Jorge veio a falecer ontem, infelizmente. E precisamos de um descendente homem para assumir a fazenda Coro Velho. E você é o único.
Nicolau: Eu posso amar aquela fazenda mais que tudo, minha infância toda foi lá. Mas, Aparecida, eu não posso. 
Aparecida: Por que não Nicolau? Seria uma ótima forma de você se retribuir com nosso pai, mesmo estando morto, ele estaria orgulhoso lá do céu
Nicolau pensa, coloca a mão na cabeça e diz
Nicolau: Tá bom Aparecida. Eu assumo o lugar de meu pai na fazenda. Mas como tudo na vida, tem um porém.
Aparecida: Que porém?

Cena 7 - Fazenda Coro Velho - Tarde
Após uma longa conversa com Nicolau, Aparecida volta de carro a vapor para a fazenda Coro Velho. Lá, é parada por Cristóvão. 
Cristóvão: Senhora, espere-me! falou ele, correndo atrás do automóvel em movimento. É quando Aparecida percebe,  manda parar
Aparecida: Parem! logo depois dessa fala, ela sai do carro.
Aparecida: O que foi homem?
Cristóvão: Tenho uma notícia ruim bem quentinha para dar a senhora.
Aparecida: Tudo bem, pode me dizer mais tarde?
Cristóvão: Não, é super importante - falou Cristóvão, aparentemente cansado depois de ter percorrido muito.
Aparecida: Nossa, que desespero!
Lá do carro, Nicolau diz
Nicolau: Vamos logo Aparecida, tô com pressa
Aparecida: Calma, tô esperando esse homem aqui desembuchar
Cristóvão: Sua filha, está realmente namorando o Gaxambu. Precisamos ir lá rápido.



NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO DE GIRA MUNDÃO!