domingo, 29 de maio de 2016

Gira Mundão | Capítulo 7 | Você de novo

ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR:
Augusta: Por que eu não consigo esquecer esse homem meu deus! Até nos meus sonhos ele aparece. Me dê uma resposta. Me ajude!

CAPÍTULO 7:
Continua:


Cena 1 - Fazenda Coro Velho - Área dos escravos - Dia 
O dia amanheceu com chibatadas na fazenda. Jakak, está apanhando por tentar fugir. Taú e Habib estão conversando, olhando o colega apanhar. 
Habib: Ô! Quando é que essas chibatadas vão acabar? é muito sofrimento!
Taú: Só vai acabar quando a escravidão acabar, então, provavelmente nunca. Eles tem que entender que, enquanto tiver isso, ainda teremos os famosos ''quilombos''. 
Habib: Eles não entendem mesmo. Mas eu ainda sonho em um Brasil diferente..
Taú: Todos nós sonhamos meu querido, todos nós.

Cena 2 - Igreja - Dia 
Augusta foi a igreja rezar uma missa. Lá, se encontrou com o padre Sérgio. 
Augusta: Benção padre!
Sérgio: Ô minha filha, quanto tempo! o padre a abraça e continua: 
Você tem a minha total benção. 
Augusta: Graças a deus, como vai o senhor?
Sérgio: Muito bem, e a senhorita?
Augusta: Ótima, com uns negócios aqui e ali mas, dá pra segurar.
Sérgio: Tudo certo, então. É.. sente-se, sente-se 
Augusta: Com licença..
Sérgio: Agora me diga, o que lhe trouxe aqui? 
Augusta: Vim rezar uma missa senhor padre, na verdade já rezei. 
Sérgio: Não.. você nunca vem rezar missas, algum motivo especial tem, te conheço desde pequena, Augusta! 
Augusta: Ah... é que, uma paixão antiga está se reacendendo, sabe padre?
Sérgio: Sim, continue. 
Augusta: E eu já estou casada e muito bem casada com Roberto. Mas sabe, as vezes acho que esse amor é mais verdadeiro do que os dezoito anos de casamento que tive com o meu esposo.. Eu não quero me entregar à ele padre. Me ajude! 
Sérgio: Olha minha filha, o máximo que posso lhe fazer é rezar pro mal não acontecer. 
Augusta: Pois só fazendo isso padre, vai ajudar a sua coleguinha aqui e muito! 

Cena 3 - Fazenda Coro Velho - Porta da mansão - Dia 
Maria Lourença está sentada na porta da mansão da fazenda Coro Velho. Cristóvão aparece atrás de Aparecida. 
Maria Lourença: O que faz andando por aí feito barata tonta menino? 
Cristóvão: Nada não.. 
Maria Lourença: Nada não, sei.. não sou burra não moço. Fala logo Cristóvão, pra ver se posso ajudar. 
Cristóvão: Cadê a patroa?
Maria Lourença: O bicho de oito cabeças? porque sete que não é. Deve tá enfiada lá pra dentro. 
Cristóvão: Olha o jeito que fala com patroa. 
Maria Lourença: A boca é minha, quero ver ela ir vir tampar. E outra, cadê Manuel?
Cristóvão: Desde ontem de madrugada esse se enfiou na mata e desapareceu 
Maria Lourença: Eu em oche! Deve está atrás é de Gaxambu, cá entre nós, acho que ele tentou dar é uma fugidinha ontem viu?

Cena 4 - Mata dos Atracauê - Tarde
Gaxambu trabalhou muito pesado na noite de ontem, sem direito a descanso. O escravo foi chamado por Manuel, Taú queria ver o filho de criação. Gaxambu estava no meio da mata. 
Manuel: Gaxambu, pare de trabalhar! Siga-me
Gaxambu: O que houve?
Manuel: Não quero ouvir palavras, apenas siga-me.
Manuel levou Gaxambu para trás da mansão da fazenda para uma conversa. 
Manuel: Seu pai quer falar com você, vocês dois tem dez minutos de conversa, depois é tchau!
Manuel sai. Taú e Gaxambu ficam se entreolhando por alguns segundos, até o mais velho abrir os braços demonstrando que quer dar um abraço. 
Taú: Venha cá, meu filho!
Gaxambu: Que saudade eu senti de você meu pai
Taú: Não foi só eu não, a fazenda INTEIRA!
Gaxambu: Que bom, que bom.. O que aconteceu com suas pernas, porque está com essa cadeira de rodas??
Taú: É meu filho.. seu pai foi trabalhar pesado à mando do coronel Nicolau, acabou acontecendo um acidente, seu pai ficou alejado. *risos*
Gaxambu: E o senhor ainda ri disso?
Taú: Eu rio mesmo. A vida sem o humor é muito pesada, ainda mais por ser um negro e sofrer por causa dos outros.
Gaxambu: Mas nós temos que olhar pro lado bom da coisa meu pai
Taú: Lado bom da coisa? Não tem nenhum lado bom por aqui. O único lado bom, claro, é a sua volta. Escute bem o que estou te falando, não se meta mais com aquela gente. Seu castigo foi cumprido. Por favor, não se meta com o povo branco.
Gaxambu: Eu prometo meu pai!

Cena 5 - Fazenda Coro Velho - Escritório - Tarde 
Nicolau está sentado em sua cadeira. Jamili chega no escritório do coronel Nicolau: Pode entrar 
Jamili: Com licença coronel.. Raimundo está ai fora, quer falar urgentemente com o senhor, posso deixar entrar? 
Nicolau: Pode, já devia ter deixado.
Raimundo entra 
Raimundo: Coronel Nicolau, quanto tempo 
Nicolau: Fala logo, desembucha!
Raimundo: Que grosseria homem! Não precisa disso não
Nicolau: O que o povo todo daqui merece de mim? A minha grosseria e a falta de educação, o povo daqui é muito podre! 
Raimundo: Então porque continua como coronel?
Nicolau: Um agrado a meu pai, e por vontade também. 
Nicolau: Agora desembucha logo, vamos que estou com pressa. 

Cena 6 - Fazenda Coro Velho - Área dos escravos - Noite 
Augusta foi ver como os escravos estavam trabalhando na fazenda. 
Augusta: Vamos, mais rápido! Não podemos deixar essa fazenda parar. 
Ela segue adiante. Ao virar para o lado ela fica cara a cara com Gaxambu. 

Congela no rosto de Augusta 


NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO DE GIRA MUNDÃO INICIANDO A 3° FASE!

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